Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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 Fundador

 

 

Ricardo Jorge"Um serviço central de saúde não pode rastejar por uma simples estância burocrática. Tem de ser a sede de uma plêiade de funcionários especializados e treinados. Tem de animá-lo o espírito da renovação científica e técnica, para a qual contribui a seu turno com os resultados da sua experiência e investigação; é um centro de acção e de produção de ciência aplicada.”   

(Ricardo Jorge, "A propósito de Pasteur", 1923)

 

Ricardo de Almeida Jorge nasceu na cidade do Porto, a 9 de Maio de 1858, e faleceu em Lisboa, a 29 de Julho de 1939.

Em 1874, ingressa na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, na qual viria a formar-se, cinco anos depois, com as mais altas classificações. Na sua dissertação de licenciatura, "O nervosismo no Passado", aborda a história da Neurologia, um termo que nessa altura ainda não havia sido estatuído. Tinha então 21 anos.

Inicia a sua vida profissional, em 1880, como professor na Escola Médico-Cirúrgica do Porto e faz várias deslocações a Estrasburgo e a Paris (onde assiste às lições de Charcot), procurando nos hospitais locais uma aprendizagem impossível de adquirir em Portugal, onde o saber neurológico era ainda incipiente.

Ricardo Jorge com Balbino Rego, Sousa Júnior e peritos - 1899O ano de 1884 marca uma viragem nas suas preocupações de estudo. Abandona a Neurologia e começa a dedicar-se à "Higiene Social Aplicada à Nação Portuguesa", tema de uma série de conferências, que lhe granjeiam um enorme prestígio em todo o país.

Aos 27 anos, elabora e apresenta no Conselho Superior Público (do qual fazia parte como delegado do Porto), um relatório sobre o ensino médico em Portugal, que considera obsoleto face às orientações modernas que vira praticadas noutros países europeus. Este relatório viria depois a servir de base ao Regulamento Geral de Saúde de 1901.

Entre 1891-1899, é nomeado médico municipal do Porto, ficando também responsável pelo Laboratório Municipal de Bacteriologia. Torna-se, em 1895, professor titular da cadeira de Higiene e Medicina Legal da Escola de Medicina do Porto. Este facto, juntamente com a publicação das suas conferências de 1884, vai consolidar o seu prestígio como higienista.

Dr. Ricardo Jorge no laboratório - 1899

Mas é em Junho de 1899 que se dá a sua consagração em definitivo a nível nacional e a projecção internacional, quando, sem hesitações, chega à prova "clínica e epidemiológica" da peste bubónica que assolou a cidade do Porto, sendo esta depois confirmada "bacteriologicamente" por ele próprio e Câmara Pestana.

No entanto, as operações profilácticas que liderou no sentido de eliminar a peste, como a evacuação de casas e o isolamento e desinfecção de domicílios, entre outras, desencadearam a fúria popular que incentivada por grupos políticos, obrigam Ricardo Jorge a abandonar a cidade.

Em Outubro de 1899, é transferido para Lisboa, sendo nomeado Inspector-Geral de Saúde e a seguir professor de Higiene da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Em 1903, é incumbido de organizar e dirigir o Instituto Central de Higiene, que passaria a ter o seu nome a partir de 1929.

Ricardo Jorge com Albert Calmet, Ferrand, Câmara Pestana, entre outros - 1899Participa em iniciativas como a organização da Assistência Nacional Contra a Tuberculose e o Congresso Internacional de Medicina de 1906, no qual presidiu à Secção de Higiene e Epidemiologia. Colabora também na reforma do ensino médico de 1911, e em 1912 inicia os seus trabalhos no Office Internacional de Higiene, em Paris, onde haveria de se distinguir.

Nos anos de 1914 e 1915 preside à Sociedade das Ciências Médicas e nos anos seguintes visita formações sanitárias na zona de guerra em França. Organiza depois a luta contra a epidemia de gripe pneumónica, do tifo exantemático, varíola e difteria, que surgiram como consequência das deficientes condições sanitárias do pós-guerra.

É escolhido para representar Portugal no Comité de Higiene da Sociedade das Nações e, em 1929, é nomeado Presidente do Conselho Técnico Superior de Higiene. Mesmo nos últimos anos da sua vida mantém uma intensa actividade, intervindo pela última vez numa reunião do Office Internacional de Higiene, três meses antes de morrer.

Os interesses de Ricardo Jorge não se limitaram, no entanto, ao campo da medicina e as suas preocupações revelam um espírito versátil e curioso de verdadeiro humanista. A sua vasta obra inclui, por exemplo, publicações versando arte, literatura, história e política.

Bibliografia de Ricardo Jorge   (PDF - 130 KB)

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