Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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 Epidemiologia da Infecção por Haemophilus influenzae após introdução da vacina Hib no Plano Nacional de Vacinação 

 

Responsável: Paula Lavado

Data: Janeiro 2008-Junho 2009

Financiamento: Comissão de Fomento em Cuidados de Saúde

Introdução: "O Haemophilus influenzae e a vacina: O Haemophilus influenzae (Hi) é um microrganismo Gram negativo cujo nicho ecológico é o tracto respiratório humano. Para além de colonizarem a nasofarínge de pessoas saudáveis, o Hi é normalmente responsável por infecções respiratórias como bronquite, pneumonia sinusite, conjuntivite, otite média aguda, e ainda infecções invasivas graves como a meningite e septicemia, principalmente nas crianças.
As estirpes capsuladas, nomeadamente as de serótipo b (Hib) estão envolvidas na maior parte destas infecções, com graves repercussões em Saúde Pública. O desenvolvimento de uma vacina para o Hib e a sua introdução no Plano Nacional de Vacinação (PNV) da maior parte dos países desenvolvidos, demonstrou a elevada eficácia desta vacina, levando à quase total erradicação do serótipo b. Em Portugal, a vacina é comercializada desde 1994, fazendo parte do PNV desde 2000."

Objectivos: 1) Esclarecer a epidemiologia da infecção por Hi em Portugal, após a introdução da vacina para o Hib no PNV; 2) Avaliar os serótipos circulantes responsáveis por infecções invasivas, após a introdução desta vacina, nomeadamente analisar a possível substituição do serótipo b por outros serótipos, ou a emergência de estirpes NC; 3) Demonstrar a importância do Hi NC em infecções como a otite média e a pneumonia, principalmente nas crianças, sugerindo a necessidade de desenvolver uma vacina contra estas estirpes NC. 4) Estudar a susceptibilidade aos antibióticos dos isolados clínicos de Hi, de modo a formular terapias empíricas eficazes e adequadas à realidade do nosso país. 5) Comparar os resultados obtidos neste estudo com estirpes isoladas após a introdução da vacina em Portugal (1995-1999), com os resultados obtidos na URA na era pré vacina (1989-1994) e ainda os obtidos no período imediatamente a seguir à sua introdução no PNV (após 2000).

Resultados esperados: "Importância da serotipagem de estirpes de Haemophilus influenzae

Serão serotipadas 300 estirpes isoladas no ano de 2007, de infecções graves e provenientes de diversos produtos biológicos, após a inclusão da vacina para o Hib no Plano Nacional de Vacinação. Antes da utilização da vacina o serótipo b era, em mais de 90% dos casos, responsável por infecções graves como a meningite e a septicémia. Este estudo permitirá a monitorização dos serótipos mais frequentemente isolados no nosso país, o que será muito importante na avaliação da utilização da vacina, assim como das consequências da sua utilização. Será avaliada a possibilidade de outros serótipos, ou mesmo das estirpes NC, virem a substituir o serótipo b, comprometendo deste modo a eficácia da vacina. Resistência aos Antibióticos

A utilização da vacina para o Hib e a consequente diminuição do número de estirpes circulantes de serótipo b, pode levar a uma diminuição das resistências, ou a uma alteração do seu perfil, sendo de extrema importância analisar o “novo” padrão de antibioresistência em Portugal, após vacinação.
Um estudo deste tipo, em que será determinada a susceptibilidade a treze antibióticos, de 300 estirpes isoladas na clínica, será esclarecedor da presente situação. Estes dados permitirão que sejam instituídas terapias empíricas baseadas na realidade do nosso país. Epidemiologia molecular

A caracterização por Pulsed-field Gel Electrophorese (PFGE) das estirpes capsuladas, tanto as de serótipo b como as dos outros serótipos (a a f), esclarecerá sobre a disseminação de clones e a diversidade genética dos mesmos.
A caracterização molecular das estirpes capsuladas, assim como o conhecimento da sua distribuição pelas diferentes áreas geográficas, permitirá estabelecer relações genéticas e de clonalidade entre as diversas estirpes, assim como vias prováveis para a sua disseminação, podendo contribuir para o controlo dessa disseminação. Assim, e de acordo com o que se tem vindo a verificar noutros países, esperam-se alterações da epidemiologia da infecção por Hi como por exemplo, 1) alteração dos serótipos responsáveis por infecções graves, nomeadamente emergência de estirpes não capsuladas (NC), 2) alteração da patogenicidade dos diferentes serótipos, 3) podendo vir a caracterizar-se novos serótipos em Hi."


Áreas de projecto : Investigação & Desenvolvimento / Observação de Saúde

Departamentos: Doenças Infeciosas

Áreas de trabalho: Resistência aos Antimicrobianos, Infecções Respiratórias