Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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12-01-2017 

 Instituto Ricardo Jorge considerado dos parceiros mais ativos no projeto JA-CHRODIS 

 
 

O grupo de trabalho “Boas práticas na área da Promoção da Saúde e Prevenção de doenças crónicas ao longo do ciclo de vida”, no âmbito do projeto europeu JA-CHRODIS (Joint Action on Chronic Diseases and Promoting Healthy Ageing Across the Life Cycle), reuniu-se recentemente em Lisboa para analisar os resultados das visitas de estudo realizadas durante 2016 a  vários países participantes no JA-CHRODIS. O encontro serviu também para discutir as recomendações a tomar em consideração para a transferência entre países de boas práticas em Promoção da Saúde e Prevenção primária de doenças crónicas.

Numa altura que este projeto europeu, que visa a prevenção de doenças crónicas e a promoção do envelhecimento saudável na população europeia, se aproxima do final, entrevistámos o líder do grupo de trabalho no qual o Instituto Ricardo Jorge participou. Alexander Haarmann elogia a participação de Portugal nesta iniciativa e considera que o Instituto foi "definitivamente um dos parceiros mais ativos".

Quais foram os principais aspetos positivos que resultaram da experiência de liderar um Grupo de Trabalho em promoção da saúde e prevenção de doenças crónicas a nível europeu?

A concordância em critérios uniformes para a avaliação das práticas, estabelecidos em colaboração com o Grupo de Trabalho 4, foi um bom passo na direção certa para aplicá-los a um maior número de práticas. Relativamente ao objetivo de uniformizar critérios europeus no que respeita a Boas Práticas esta foi uma das abordagens consideradas. Com base nisto, o conjunto de um grande número de boas práticas é um exercício único para o qual todos os parceiros contribuíram. Dada a enorme variedade de abordagens diferentes, contextos, grupos-alvo visados na prevenção de doenças crónicas que afetam grande parte da população, existe assim o potencial para inspirar parceiros e outras práticas em toda a Europa.

Atualmente estamos a trabalhar no relatório de recomendação sobre fatores de sucesso na implementação e transferência de boas práticas em diferentes regiões e países. Em conjunto com os dois pontos acima mencionados, esperamos que tenha um impacto notável sobre as práticas HPDP em anos vindouros. Para além destes tópicos relacionados com os resultados foi também uma experiência pessoal muito agradável: os parceiros discutiram, contribuíram e propuseram boas ideias, fazendo um grande trabalho. A atmosfera era muito favorável, o que não só contribuiu para a criação de uma rede de instituições, mas resultou também num grupo dedicado e comprometido de pessoas com o mesmo objetivo. Esperamos que as relações criadas durante esta ação conjunta continuem no futuro.

Por outro lado, quais eram (e são) as principais barreiras para promover eficazmente a saúde através da transferência e implementação de boas práticas para além das fronteiras do país?

Há uma série de obstáculos na adoção de uma boa prática. O mais óbvio, e em muitos casos decisivo, são as diferenças estruturais ao nível da administração, saúde, governança e similares nos diferentes Estados-Membros europeus. Algo que é necessário ter em mente é que muito raramente as práticas podem ser transferidas tal como são. Na maioria dos casos uma adaptação necessita ser feita e consequentemente equivalentes encontrados, no sentido de substituir a solução original encontrada. No entanto, isto nem sempre é uma opção viável. Uma ferramenta que pode ajudar a considerar o que é necessário ao transferir e implementar uma prática, será o nosso relatório de recomendação sobre os fatores de sucesso e as barreiras à implementação e transferência.

Além disso, parece que o simples conhecimento sobre os fatos de uma boa prática por si só não é suficiente para motivar regiões, Estados e municípios a transferir qualquer um deles. Por muito importante que seja reunir informações sobre boas práticas e torná-las acessíveis numa base de dados, isto não é suficiente. De igual importância é, muito provavelmente, o conhecimento sobre os benefícios de transferir práticas para outro local, bem como a certeza de que obstáculos estruturais e outros podem ser superados. Neste sentido, com o aumento da experiência aumenta também a motivação para uma maior adoção de boas práticas. Logo, juntamente com a falta de informação, a pré-condição para um aumento da adoção de boas práticas é pensar e abordar de forma diferente as lacunas identificadas.

E sobre a participação de Portugal nesta Ação Conjunta?

No geral, tivemos quatro parceiros diferentes em Portugal, dos quais o Instituto Ricardo Jorge foi definitivamente um dos mais ativos. Vários dos exemplos de boas práticas foram recolhidos neste país, tivemos uma visita de estudo a Lisboa e agora voltámos para uma reunião do Grupo de Trabalho. Tudo isto não seria possível sem o grande esforço e apoio de instituições parceiras como o Instituto Ricardo Jorge

O que este consórcio também mostrou é que é importante encontrar o comum na diferença. Para atingir este objetivo, a diversidade de ideias, abordagens, representações de estruturas, definição de problemas e procura de soluções são necessárias. Mesmo neste sentido, Portugal foi parte integrante e essencial para o trabalho do Grupo de Trabalho: é um pequeno país europeu, com um sistema de saúde nacional e estruturas unificadas, um país que tem sido profundamente afetado pela crise económica e suas consequências, um país com uma série de problemas relacionados com doenças crónicas que também podem ser encontrados noutros países mediterrânicos, e que tem encontrado formas inovadoras para avaliar necessidades, apesar das dificuldades. Tendo estas – e provavelmente mais – categorias em consideração, as lições a retirar de Portugal é que tem um bom potencial que pode ser útil noutro lugar, tanto ao nível de conteúdo como de metodologia.

Quais são as suas expectativas sobre o futuro da colaboração entre parceiros e como acha que a situação evoluirá nos próximos anos?

Dado que dois dos parceiros portugueses que estiveram ativos durante o atual consórcio (incluindo o Instituto Ricardo Jorge) infelizmente deixarão de ser parceiros associados no JA-CHRODIS + e dado que as tarefas a realizar e a base de recursos diferem em grande medida, é difícil falar de expetativas neste contexto. No entanto, esperamos que a boa colaboração entre estes parceiros ativos continue para além do atual consórcio. Isto pode assumir a forma de se tornar um parceiro colaborador para se manter a par dos desenvolvimentos – mas pode assumir também outras formas: apesar das evidências empíricas mostrarem que, depois de algum tempo, a intensidade dos contatos diminui, esperamos que o conhecimento das competências das instituições e dos colegas (e estão apenas a um e-mail ou telefonema de distância) possibilitem um contacto, se precisarmos de um conselho, se quisermos discutir um assunto específico, se for necessário uma informação ou contacto.

Uma vantagem neste aspeto particular é que o Instituto Ricardo Jorge é um membro do EuroHealthNet. A rede oferece atualizações regulares sobre os vários projetos e Ações Conjuntas em que está envolvido e pode ajudar os seus membros, em alguns casos, a participar indiretamente nos projetos. Consideramos portanto que o Instituto Ricardo Jorge pode vir a estar informado sobre os desenvolvimentos do JA-CHRODIS e das boas práticas na promoção da saúde e prevenção de doenças no geral e esperamos que essa troca de informações e conhecimento continue entre o Instituto Ricardo Jorge e outros membros do EuroHealthNet que também fazem parte do JA-CHRODIS.