Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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25-10-2016 

 Instituto Ricardo Jorge colabora com ECDC em projeto na área da vigilância epidemiológica da infeção por VIH 

 
 

O Instituto Ricardo Jorge integrou, no início de 2016, a equipa nacional que participa num projeto liderado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), denominado “Validating results of the ECDC HIV Modelling tool on national data”. Este projeto, no qual participam seis países incluindo Portugal, tem como objetivo validar uma ferramenta informática desenvolvida pelo ECDC e que utiliza dados de rotina da vigilância epidemiológica de cada país para modelação matemática.

Este programa informático, o “ECDC Modelling Tool”, permite obter estimativas do número de pessoas que vivem com VIH, incluindo as não diagnosticadas. Permite ainda estimar o número anual de novas infeções e o tempo médio entre a infeção e o diagnóstico, indicadores necessários para a monitorização dos objetivos do Programa das Nações Unidas para o VIH para 2020, a estratégia 90-90-90.

As primeiras estimativas para a prevalência e incidência da infeção por VIH em Portugal com base neste programa foram apresentadas, dia 24 de outubro, na Conferência “HIV Drug Therapy Glasgow 2016”, em Glasgow, um trabalho com a coautoria de Helena Cortes Martins da Unidade de Referência e Vigilância do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Ricardo Jorge. Foram também divulgadas estimativas para a percentagem de casos de infeção ainda não diagnosticados e para o tempo de demora do diagnóstico.

Os resultados preliminares obtidos para Portugal, reportando-se ao final de 2014, apontam para um total de 44176 indivíduos, com idades iguais ou superiores a 15 anos, à data a viverem com infeção por VIH no país, dos quais 4298 ainda não diagnosticados, o que corresponde a 9,7% dos casos. Estima-se também que, durante o ano de 2014, tenham ocorrido 528 novas infeções por VIH e que o tempo médio entre a ocorrência da infeção e o diagnóstico fosse de 4,1 anos.

As estimativas foram apresentadas para o total dos casos e separadamente para as categorias de transmissão mais frequentes: transmissão heterossexual (Hetero); transmissão por sexo entre homens (HSH) e transmissão associada ao consumo de drogas endovenosas UDI). Observam-se diferenças nas estimativas obtidas para as diferentes categorias de transmissão, tanto para a fração não diagnosticada como para a demora do diagnóstico.

Assim, as estimativas para os casos de transmissão Hetero apontam para uma maior fração não diagnosticada (13,0%) por comparação com os de transmissão HSH (10,8%) e UDI (1,2%). A categoria de transmissão na qual se estima que, em 2014, o tempo médio para o diagnóstico fosse mais reduzido foi a HSH (2,8 anos) enquanto nas restantes se situou em 3,4 (UDI) e 4,5 anos (Hetero). Estas variações refletem intervenções passadas e tendências recentes da epidemia.

O Instituto Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Doenças Infeciosas, é responsável, desde 1985, pela gestão da base de dados nacional referente aos casos de infeção VIH e SIDA notificados em Portugal, procedendo à análise e divulgação da informação epidemiológica nacional em estreita colaboração com o Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA (PNVIHSIDA), coordenado pela Direção-Geral da Saúde. O Instituto Ricardo Jorge foi convidado a participar neste estudo pelo então diretor do PNVIHSIDA, António Diniz.