Com o objetivo de descrever a tendência da taxa de incidência de diabetes em Portugal entre 1992 e 2015, bem como projetar a taxa de incidência até 2024, o Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, em colaboração com parceiros de outras instituições, elaborou um estudo ecológico de séries temporarais, com base em dados da Rede Médicos Sentinela (MS). Os resultados deste trabalho mostram que, no período em análise, a taxa de incidência de diabetes apresentou um crescimento médio anual de 4,29%.
Este estudo refere que, até 1998–2000, a taxa de incidência anual de diabetes era superior nas mulheres e, a partir de 1998–2000, passou a ser mais elevada nos homens. Já em relação à taxa de incidência para 2022–2024, os autores do artigo, publicado na revista "Primary Care Diabetes", estimam que esta seja de 972,77 por 100 mil utentes no total, e 846,74 e 1114,42 por 100 mil utentes, respetivamente, em mulheres e homens.
Os autores de “Tendências da taxa de Incidência de Diabetes entre 1992 e 2015 e projeções para 2024: Um estudo da Rede Médicos Sentinela”, o primeiro estudo em Portugal a descrever a evolução da taxa de incidência durante um período de 23 anos e a projetar a taxa de incidência anual de diabetes, referem que estas projeções poderão verificar-se se não forem implementadas, no futuro, estratégias adicionais de prevenção desta doença. “Na verdade, afigura-se importante o desenvolvimento de estratégias mais efetivas de Saúde Pública neste âmbito, designadamente, através da atuação nos principais fatores de risco para a diabetes mellitus em Portugal”, sublinham.
Tanto a tendência anual, como as projeções deste trabalho, foram estimadas através de modelos de regressão de Poisson com estratificação por sexo e grupo etário. A taxa de incidência observada e projetada foi ajustada para a distribuição anual da população residente em Portugal.
A diabetes é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade a nível global. Portugal é o país da União Europeia com a prevalência mais elevada desta doença. A Rede MS, coordenada pelo Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, constitui a única fonte de dados que tem permitido obter uma série temporal das estimativas anuais da taxa de incidência de diabetes, dado que se mantém em funcionamento de forma continua há 27 anos.
A Rede MS é um sistema de informação em saúde formado por médicos de Medicina Geral e Familiar que voluntariamente participam na notificação e estudo de diversos problemas com interesse para a saúde pública. Esta Rede foi formada em 1989 e conta com a participação de cerca de 115 médicos de família (especialistas e médicos internos) distribuídos por todo o país.