Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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 Infecções Respiratórias

 

O Laboratório Nacional de Referência de Infecções respiratórias está vocacionado para o estudo de agentes infecciosos virais e bacterianos responsáveis por infecção respiratória, e agentes bacterianos que, podendo ser comensais do tracto respiratório superior, podem causar infecção sistémica grave. Este laboratório inclui o Laboratório para o vírus da Gripe, o Laboratório de Tuberculose, o Laboratório de Neisseria meningitidis e o Laboratório de agentes respiratórios bacterianos dedicado a Haemophilus influenza e Corynebacterium diphtheriae.   

Laboratório para o vírus da Gripe

A Gripe é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza, responsável por um excesso de mortalidade e morbilidade durante as epidemias anuais, bem como por pandemias, que chegam a provocar a perda de milhões de vidas humanas. Uma das principais características do vírus influenza é a sua grande variabilidade antigénica que lhe permite iludir o sistema imunitário do hospedeiro. O diagnóstico clínico da Gripe é dificultado pela inespecificidade da sintomatologia que apresenta e que é comum a infecções respiratórias provocadas por outros agentes patogénicos.

O Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe (LNRVG) faz parte, desde 1953, da rede de laboratórios da OMS. É responsável pela Vigilância Epidemiológica da Gripe, em colaboração com o Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, que tem como um dos objectivos principais identificar e caracterizar os vírus influenza em circulação bem como a detecção de vírus emergentes com potencial pandémico. Para levar a cabo as suas tarefas de referência e vigilância, além do diagnóstico laboratorial, o LNRVG efectua a caracterização antigénica (isolamento em cultura celular ou em ovos embrionados de galinha) bem como a análise molecular dos vírus influenza (análise filogenética, pesquisa de mutações e substituições de aminoácidos). O LNRVG realiza também estudos de serologia humana para avaliação da resposta imunitária conferida pela vacinação ou por infecção natural pelo vírus influenza.

O LNRVG é coordenador da Rede Laboratorial Nacional criada para o Diagnóstico da Gripe A(H1N1)2009 e que actualmente efectua a vigilância laboratorial das Infecções Respiratórias Agudas Graves.

Equipa:

  • Raquel Guiomar – Técnico Superior de Saúde, Responsável pelo laboratório
  • Pedro Pechirra – Técnico Superior de Saúde
  • Inês Costa - Técnica Superior de Saúde
  • Paula Cristovão – Técnica de Análises Clínicas e Saúde Pública
  • Patrícia Conde – Bolseira de Investigação do Projeto IMOVE 

 

 

                                             

Laboratório Nacional de Referência de Infecções Respiratórias (a agentes bacterianos)

O Haemophilus influenzae (HI) é responsável por infecções respiratórias adquiridas na comunidade e ainda infecções invasivas graves como a meningite. Até à data são conhecidos seis serótipos (a-f), mas a maioria dos isolados são não-capsulados (NC). Nos anos noventa, a meningite afectava maioritariamente as crianças e em mais de 95% dos casos o HI serótipo b era o responsável pela infecção. Foi desenvolvida uma vacina para este serótipo (Hib) e introduzida no Plano Nacional de Vacinação (PNV) para crianças menores de cinco anos de idade, no ano 2000. Após a introdução da vacina as infecções invasivas decresceram dramaticamente, mas têm-se verificado alterações nas estirpes responsáveis por esta infecção, nomeadamente ao nível do serótipo capsular e sua patogenicidade.

Uma vez diagnosticada uma infecção invasiva, o tratamento adequado deve ser estabelecido com a maior brevidade possível. Até ao início dos anos setenta, todos os HI isolados eram susceptíveis à ampicilina, até que foi descrita a primeira estirpe resistente a este antibiótico. Desde então um ou vários mecanismos de resistência têm sido associados à sua resistência. Estudos moleculares na época pré-vacinal caracterizaram um número limitado de clones envolvidos na infecção por estirpes serótipo b, apesar das estirpes NC apresentarem uma elevada diversidade genética.

O Laboratório Nacional de Referência de Infecções Respiratórias (a agentes bacterianos), do Departamento de Doenças Infecciosas, do Instituto Ricardo Jorge, em Portugal, tem como projecto “major” o estudo desta infecção. A responsável do laboratório é a microbiologista responsável pela infecção invasiva a HI no ECDC. Neste âmbito, conduzimos estudos de vigilância, assim como de investigação, na epidemiologia da infecção, após a introdução da vacina no PNV, na nossa população. Outro desafio é o estudo da resistência aos antibióticos, já que a bactéria é capaz de adquirir mecanismos de resistência que “rodeiem” o efeito do antibiótico.

A responsável do laboratório é também a microbiologista responsável pela Difteria e infecções relacionadas, para o ECDC. Apesar de não termos nenhum caso notificado há já muitos anos, devemos estar alerta para esta grave infecção, pois em países como a Letónia, ou mesmo os países da antiga Federação Russa, continuam a ser detectados casos de difteria. Também casos esporádicos têm sido detectados nalguns outros países Europeus. Neste contexto somos o laboratório de referência para esta infecção e o nosso objectivo será o de colaborar com os clínicos a lidarem com este problema, caso seja detectado no nosso país.

Imagens:

Haemophilus influenzae: Coloração de Gram e aspecto das colónias capsuladas em Agar chocolate