
A informação analítica gerada pelos laboratórios da área da microbiologia alimentar é base de tomada de decisões com repercussões quer na área da Saúde, quer na da Economia. Se um resultado falso positivo pode originar uma desnecessária eliminação de um produto alimentar, com forte impacto financeiro, um resultado falso negativo pode ter sérias implicações em saúde pública. Adicionalmente, contagens inexatas podem originar uma apreciação errada do alimento, sob o ponto de vista microbiológico, podendo conduzir a posições competitivas desleais. Deste modo, há necessidade de obter dados fiáveis e comparáveis, assim como de transmitir uma informação correta, constituindo a participação em esquemas de Avaliação Externa da Qualidade (AEQ) / Ensaios de aptidão, uma importante ferramenta na sua prossecução. Os ensaios de aptidão são uma ferramenta imprescindível no Controlo da Qualidade Analítica, na medida em que a avaliação de desempenho fica a cargo de uma entidade independente. A introdução na rotina laboratorial de amostras de conteúdo conhecido do organizador mas não revelado aos participantes é a única forma de deteção de erros sistemáticos através da comparação dos seus resultados com os de outros laboratórios. Trata-se de uma avaliação de desempenho do laboratório participante através de comparações interlaboratoriais face a critérios pré-estabelecidos. É reconhecida pelas autoridades e comunidade científica internacional a importância dos ensaios interlaboratoriais. A participação nestes ensaios encontra-se ainda reforçada por imperativos legais e normativos, nacionais e internacionais, sendo uma exigência para todos os laboratórios acreditados (NP EN ISO/IEC 17025: 2005), pelo que a existência de um Programa Nacional vem contribuir para o seu cumprimento.
Neste sentido, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P., através dos laboratórios de Microbiologia dos Alimentos de Lisboa e Porto, implementou, em Setembro de 2001, um Programa Nacional de Avaliação Externa da Qualidade, na área da Microbiologia de Alimentos, inserido num programa a nível mundial que conta com 55 países, coordenado pelo Food and Environment Proficiency Testing Unit (FEPTU) da Public Health England (PHE), de Londres (desde o dia 1 de Abril de 2013, a Health Protection Agency (HPA) foi integrada na nova organização Public Health England (PHE). Todos os “PHE EQA Schemes” estão acreditados pelo United Kingdom Accreditation Service (UKAS) de acordo com a ISO/IEC 17043: 2010 – Conformity assessment - General requirements for proficiency Testing. Os ensaios interlaboratoriais organizados pelo INSA, I.P. são aceites pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC).
O Programa Nacional iniciou com 23 laboratórios participantes, contando com a participação de 41 laboratórios no ano 2014/15, públicos e privados, de Saúde Pública, de Controlo Oficial dos géneros alimentícios, da Indústria, de Estabelecimentos de Ensino/Investigação, de Escolas Profissionais e de Prestação de Serviços, provenientes de diversas regiões de Portugal continental e dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, assim como de outros países de língua oficial portuguesa.
Documentos para Download:
Descrição dos esquemas (brochura) / Formulário de Inscrição (Condições de participação) / “FEPTU Guide to scoring” / …
Este Programa inclui diferentes esquemas destinados a avaliar o desempenho dos laboratórios em análises específicas de diferentes tipos de alimentos, nomeadamente produtos prontos a consumir, leite e produtos lácteos, mariscos e outros produtos do mar, carnes, frutos, etc, e alimentos suspeitos de estarem na origem de toxinfecções alimentares.
São disponibilizados 7 esquemas:
- STANDARD Scheme
Apropriado para a maioria dos laboratórios que efectuam análises em produtos alimentares.
Amostras que simulam alimentos para avaliação microbiológica numa ampla gama de microrganismos patogénicos e indicadores.
- EXTENDED Scheme
Indicado, sobretudo, para laboratórios da área de Saúde Pública.
Amostras que simulam alimentos para avaliação microbiológica ou alimentos que tenham sido implicados em toxinfecções alimentares.
- SHELLFISH Scheme
Adequado para laboratórios que examinam moluscos bivalves crus e outros produtos do mar. Inclui todos os Laboratórios Nacionais de Referência da União Europeia.
Amostras que simulam amêijoas, ostras, mexilhões e gastrópodes marinhos destinados à classificação das zonas de apanha/cultivo e ao consumo humano directo, para controlo da contaminação microbiológica.
Esquema organizado em colaboração com o Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) do Instituto Nacional dos Recursos Biológicos, I. P. (INRB, I. P.).
- FOOD LAW Scheme
Aconselhado para laboratórios que examinam produtos de acordo com a legislação europeia especificada no Regulamento (CE) Nº 1441/2007 (que altera o Regulamento (CE) Nº 2073/2005) relativo a critérios microbiológicos aplicáveis aos géneros alimentícios, associado com o Regulamento (CE) Nº 852/2004.
- NON-PATHOGEN Scheme
Adequado para laboratórios que enumeram indicadores de deterioração onde não é aconselhável a presença de patogénicos.
Amostras que simulam alimentos deteriorados, alimentos para avaliação microbiológica e estudos do prazo de validade.
- PATHOGENIC VIBRIOS Scheme
Amostras que simulam alimentos para ensaio de Vibrio spp., patogénicos.
- S. aureus ENTEROTOXIN Scheme
Amostras que contêm estirpes de Staphylococcus aureus.
Reuniões Nacionais:
As reuniões nacionais são uma iniciativa do Programa em Portugal que se concretiza todos os anos, não sendo limitado o número de inscrições por laboratório participante. Estas reuniões são um ponto de encontro dos participantes, contemplando a apresentação e discussão dos resultados globais obtidos no Programa Nacional no contexto mundial.
Numa perspectiva de melhoria contínua, são também apresentados temas diversos das áreas da Qualidade e da Microbiologia Alimentar, por palestrantes convidados bem como por participantes. Neste âmbito são também realizadas sessões de debate, de esclarecimento de dúvidas e troca de experiências e de opiniões.
Habitualmente contam com a presença da Drª Julie Russell do Food and Environment Proficiency Testing Unit (FEPTU) da Health Protection Agency (HPA), de Londres e outros membros da equipe.
Contactos:
- Cristina Belo Correia
Tel: 217519351/217519230
e-mail Cristina.Belo@insa.min-saude.pt
Fax: 217526470
- Isabel Campos Cunha
Tel: 223401100/31/32/33
e-mail: Isabel.Cunha@insa.min-saude.pt
Fax: 223401189